segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

E se...



E se eu soubesse que ia cair nas primeiras vezes que tentasse andar de bicicleta? Se eu soubesse que subir naquela árvore grande me renderia uma fratura no braço? Se eu soubesse que o primeiro beijo sempre bate os dentes e nunca é como imaginamos e, nem de longe é como os beijos de novela?
E se eu soubesse que a garota que eu amei perdidamente no ensino médio, não me diria não, nem ficaria assustada, tampouco cuspiria na minha cara, mesmo com razão, depois que eu me declarasse dizendo que a amava mais que tudo e pra sempre? Se eu soubesse que em vez disso, ela apenas desviaria o olhar enquanto sorria lindamente com o canto da boca, me dizendo com aquele gesto que ela também me amava.  
Se eu soubesse que aquele curso que me era menos provável, que nem de longe era o que eu sonhava, na verdade, era tudo que eu queria fazer? E se eu soubesse que aquele trabalho, que julguei ser um tédio total, em contra partida, me renderia bons amigos eternos?
Se eu soubesse que largar tudo, pegar uma mochila e correr atrás do meu grande sonho, fosse à única coisa que pudesse me proporcionar à felicidade plena? Se eu soubesse que comprar um barco a vela, embora não tivesse onde velejar, só para deixá-lo no quintal, seria a melhor escolha, pois lá, no improvável, seria onde eu viveria os momentos com a pessoa que seria crucial pra minha vida, hein? Se eu soubesse que tentar aquele relacionamento sério, não seria tão sério assim, que seria, na verdade, até leve, e que eu não necessariamente teria que ter uma velhice chata do lado daquela pessoa, embora envelhecesse do lado dela? 
Se eu não tivesse pensado tudo isto de antemão, talvez eu tivesse vivido a maioria dessas coisas.

Refletir sobre nossas ações, na maioria das vezes, destitui-nos da vida. A melhor escolha é enfrentar sem pensar tanto, pois todo pensamento positivo gera um pensamento contrário que impede a vida de acontecer. 

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