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terça-feira, 10 de junho de 2014

Sem enganos


Eu não preciso dizer...!
Você é parte de quem eu sou
E não pretendo ser menos eu
Arrancando você de mim.
É muito simples!
Complicado seria esconder, isso sim!
Estranho seria não dizer,
Mas tu foges de mim,
 E amar assim é desperdício...
Amar assim é prejuízo...
Nos fins desse amor sem início
Arrisco-me a dizer que seria justo
Vivê-lo em outros corpos,
Embora seja nosso, embora seja nosso, 
seja sincero...
Não é justo que um amor puro, completo,
Morra assim, de deserto, 
em meio à um dilúvio de espera...   
S.I
Ouça-me:

domingo, 8 de junho de 2014

Tentei fugir pra longe de mim



Eu já tentei fugir de mim mesmo.
Juro que tentei!
Corri, tentei mudar completamente,
Mas sempre que pensava  ter me distanciado
O suficiente,  
 Sempre caía em versões de mim novamente.  
Sempre que pensava ter conseguido,
Me pegava sendo EU, sem perceber.
Pois há tantos de mim.
Arrisco-me até dizer que sou multidão,
Sou um universo... 
Embora não goste da maioria de minhas versões
Não consigo desvencilhar-me delas...
Ah, como eu queria, ao menos uma vez,
Ser como aquele que todos amam.
Aquele que agrada a todos,
Embora saiba que eles não existem.
Mas eu queria ser como eles...
Juro que queria!
É, uma de minhas mais vivas versões
É a de sonhador.
Sou um eterno sonhador...
Sonho no amor que sentes,
Ainda que ele não exista.
Sonho, às vezes, em ser um resmungão,
Quando me canso de ser simpático
Sonho,  às vezes, em ser bruto,
Quando me canso do amor que em mim não cabe.
E sonho... Sonho! 
E é com estes sonhos que tento fugir de mim...
Mas, pelo o que as evidências me impõem,
Eu sou apenas o que sonho...
É, se pudesse me aproximar de uma  definição
De quem eu sou;  
certo que diria que sou uma multidão de  sonhadores...
 Samuel Ivani

OUÇA DECLAMADA

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Sendo eu



Sendo eu  
Não teria me apegado as coisas vãs,
Não teria me apegado..., essa é a verdade.
Não teria corrido atrás,
Mesmo sendo capaz.
Não teria buscado o que não queria,
E se não soubesse quais eram os meus objetivos
Não teria ido à luta,
Assim, seria acima de tudo eu...

Sendo eu
Não tinha sentido o vento,
Não tinha me encantado com as cores da vida.
Não tinha me sentido culpado por meus fracassos.
Ao menos aqueles que eu fracassei antes de lutar.
Sendo eu
Eu não teria amado tanto quanto amei.
Ao menos, teria amado menos,
E menos pessoas.
Gastei amor demais com as pessoas certas.
Gastei tempo demais com pessoas erradas.
Gastei tempo demais sendo a pessoa de ninguém.
Gastei tempo demais...,
Não desperdicei;  gastei o tempo amando...

Sendo eu
Não lamentaria as dores,
Muito pelo o contrário,
Eu as veneraria, 
Estas mesmas,  que me moldaram ao seu modo.
Estas mesmas, que me deram poemas,
Estas que me proporcionaram amar o passado.
Estas que me fazem feliz por ontem,
E que me farão feliz amanhã por hoje.

Sendo eu
Transformaria-me em mim.
Sendo eu
Não ouviria tanto as pessoas
Muito menos aquilo que penso delas.
Não seria o que os outros queriam que eu fosse
Não teria sido tão dominado.
Mas sendo eu, não seria este que o mundo conhece...

Então o que seria de mim?!   
  
S.I 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Imagine dragões



Que imaginasse dragões; era tudo que eu queria...
Não pedi que os amasse  desesperadamente,
Eu só queria que os criasse em sua mente.   
Dragões, de corações encouraçados,
Daqueles que expiram fogo azul das entranhas...
E que de seus vôos, surgissem borboletas
Também azuis. 
Mesmo que logo após, esses mesmos dragões,
As incinerassem da face dos ares,
E restassem apenas faíscas de borboletas,
Porém, o importante é que tudo era azul.  
E mesmo,  borboletas nascidas de vôos de dragões,
Dragões, obviamente imaginados,
Poderiam ser criadas, numa proporção infinita,
Numa proporção bem maior que os dragões,
Pois devem eles, já surgirem em pleno voo...

 Se em algum momento tivesses tu ilusionado dragões,
Tudo seria diferente...
Se tivesse tido a capacidade de criar, de encontrar razões,
Para imaginar dragões...
 Mas manteve sempre esses pés no chão.
Manteve-se sempre nesta dura realidade.
Se tivesse os imaginado, inevitavelmente,
Em alguma curva imaginária, de um caminho sempre reto,
Os nossos dragões teriam se encontrado...   
e tudo seria diferente...   

Eu só queria que imaginasse dragões,
Nem pedi que os criassem a partir de moinhos de ventos,
Bastava que os criasse do nada,
Como sempre os criei...
E nem exigiria que tu voasses com eles,
Ou que expirasse grandes sentimentos coloridos,
Assim como eu. 
Só que os imaginasse aquecidos,
Assim como mantenho minha imaginação, quente.
Não era pedir muito...

Eu só queria que imaginasse flores onde não havia,
E se pudesse, também imaginasse abelhas
Polimerizando grandes flores amarelas.
E que no céu, sempre azul,
Tivesse sempre dragões e borboletas de mesma cor.
Pois o mais importante era que tudo no alto fosse azul.
Eram os dragões indispensáveis, se os tivesses imaginado,

Tudo seria diferente...  

                                                                       Samuel Ivani

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Queriam que eu não fosse "eu"


Queriam-me assim como eles desejavam,
Queriam-me da maneira que lhes fosse mais útil.
Queriam-me da maneira que  eles julgariam amável,
Da maneira que eles julgavam perfeito ao seu modo de vida.
Os decepcionei por ser   “EU”.

Queriam-me eles, mas não que eu fosse deles,
Queriam algo de mim,  que lhes trouxessem vantagens.
Queriam eles que eu fosse  tal qual sua imaginação,   
Que eu fosse feito de modo que os enchessem de elogios sempre,
Que eu fosse sempre agradável aos ouvidos e aos olhos deles,
Os decepcionei por ser  “EU.”    

Queriam eles que eu os resguardasse no coração,
Ainda que não os conhecesse o suficiente.
Queriam eles que eu sentisse o mesmo sentimento deles,
Que compactuasse da mesma opinião sempre,
Que buscasse sempre segui-los,
Pois julgavam como certo o caminho que seguiam.
Eu os decepcionei por ser “EU”

Queriam eles, que nunca deixasse de ser “eu”,
Ao menos em suas palavras proferidas enquanto não eram eles.  
Mas ao me conhecerem, notaram que eu não seria suportável.
Que sendo “eu”, e não da forma que eles imaginaram,
Eu não seria, em hipótese alguma, amável.
Eu os decepcionei por ser eu,
Pois sendo eu, não era igual a eles. 
Descobri que a única maneira de ser "eu"
sem ser criticado, é sendo 
um disfarce de mim mesmo. 
                                                                                                  SAMUEL IVANI 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O idiota.


Eu devo ter sido,  irrefutavelmente, o maior idiota do universo. 
Quão grande babaca eu fui.
Eu escolhi conhecer a vida em vez de vivê-la,
Eu escolhi  pensar, em vez de amar inúmeras vezes.
Mesmo assim, das poucas vezes que amei,
Todo conhecimento que tinha, de nada me foi útil.
Eu devo ter sido o maior idiota do universo;
 Um tolo, que se achava maior que todos
E não passava de vísceras daqueles que não refletiam.
Meros espirros daqueles que viviam.
Eu, como o maior idiota do universo,
Não fui nada.
Pensei que estava destinado a grandes coisas
E neguei-me a chance de ser  pequeno, assim como tantos.
Não atentei que aqueles, cujo viver bastava,     
Aqueles, que respirar bastava,  
Com apenas algumas pequenas aspirações adequada a sua realidade,
Aqueles  eram a regra e eu,  é que era a exceção.    
Devo ter sido, irrefutavelmente, o maior idiota do universo.
O maior tolo do mundo.
Minhas convicções não me levaram a lugar nenhum.
Minhas opiniões, cujo acreditei que mudaria o mundo,
Não mudaram nem a direção do sopro
 de um escravo beira da morte;
chicoteado, ele soprava rumo ao fim,
E eu não pude mudar a direção do seu sopro.
Não queria também ser escravo,
 E por  esta grande idiotice, nada fui:
Não cacei, com os príncipes, codornas gordas,
Não busquei em florestas perdizes perdidos
e, por não querer ser escravo, nada fui.
Oh! Quão idiota eu fui!
Não quis ser da orquestra o limpador dos instrumentos,
Que mais poderia querer eu, se não sabia tocar instrumento nenhum?
Não quis ser em meio a tantos só mais um,
E não fui,  entre eles, nem igual aquela burra maioria.
Eu, no papel de maior idiota do universo,
Não quis usufruir das descobertas de alguns tolos,
Queria por força, e achava-me capaz de descobrir
Um mundo novo.
Tolo que eu fui, se é que eu fui alguma coisa.  
Eu, no papel de maior idiota do universo,
Escolhi ser eu, um grande idiota, aos olhos da maioria.
Porém, morrerei com a consciência que fui um idiota,
 e morrerei, com a certeza que fui eu,  em todos os momentos que não vivi. 
Na linda história da minha vida, eu fui, acima de tudo, feliz.
- Achou que eu diria “triste história da minha vida,” não é?
Engana-se, tolo como tantos. Engana-se! 
Eu nunca direi o que desejas ou imaginas que irás ouvir de mim.

Eu fui feliz, ninguém tirará isto de mim. 
E tu,  foste só mais um...
E mais idiota eu fui,
                                                            por escrever estas palavras.
                                                                                         Samuel Ivani 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O MENINO DA CORTE








O MENINO DA CORTE

A quem ver! Não ver. Se ver, não atenta;
garotinho sujo, descalço, a esperar atento
migalhas a mesa, que cai salivadas dos reis,
de madames enfeitadas; esmeraldas,
rubis e mais rubis e corações vermelhos.
O garoto faminto, logo à cima dele, à mesa; risadas.
Carnes nas barbas dos reis e no colo das enfeitadas.
Há sujeira aqui em baixo; pouco importa, a fome não ver.
Risadas, pisadas, gritos, o que haveria logo acima?
O garoto, a fome, os olhos, as vazias entranhas desejam ver.
Invisível garoto levanta e ver o bobo, de pernas pra cima,
Como em uma rinha. 
Todos riam do bobo desajeitado.
Bobo da corte. Seria mesmo ele bobo?
 O bobo todos veem!
Mas a maquiagem, as vestes estranhas... 
Na verdade, ninguém o ver!
Haveria por trás das vestes um sujo menino?
Todos riem do bobo e lambuzam suas barbas de gordura.
No bobo da corte um sorriso. 
Seria dele aquele sorriso?
Ou obra da maquiagem que força risos e alegrias?
Seria o bobo apenas um quadro em uma moldura?
Quadro sem vida, vida tinha quem o pintou.
Quem pinta o bobo? Não seria o próprio bobo?
O menino ainda faminto olha o bobo e não ver graça.
A fome não deixa seus risos fluírem.
Mas os reis, os reis e madames,
Esses sim, enchem-se de leitões, vinhos e risos.
O bobo menino, o menino bobo, não se sabe,
Levanta-se e agarra uma coxa suculenta.
Agora quem rir do bobo, do bobo menino?
Ninguém! Desse bobo que come, ninguém!
O bobo da corte, (bom seria se fosse a corte do bobo)
Estraçalha ferozmente a coxa e seu pescoço.
Os reis e madames assustados: que graça há neste tolo? 
O menino sujo e faminto, fora  levado a forca.
Sem maquiagem não era o bobo.
Todos riam, não do bobo da corte, do menino faminto e tolo.
As madames e reis, maquiados e enfeitados,
Para presenciar o último riso proporcionado
Por aquele, que antes bobo da corte, hoje menino bobo.
Que forca? Que tortura? A forca seria o fim!
Mas para aquele bobo menino, não sobrava ar,
Melhor seria não respirar.
                                                
                                                         Samuel Ivani