sábado, 10 de dezembro de 2016

Dos pés à cabeça



Caminham meus sapatos comuns.
Meus cadarços comuns apertam uns pés comuns.
Meus passos, tão banais, por enquanto, não chegaram a lugar algum.
Minhas calças comuns de tão azuis,
movimentam umas pernas comuns e uns
bolsos tristes de tão vazios;
ambos, voarão repetidamente por rios comuns...
Meu cinto comum envolto de uma cintura fina e sem graça
segura uma honra pequena e disfarçadamente comum.
Meu umbigo, símbolo maior da existência de Deus
é igual o de todo mundo;
menos do de Adão, que não tinha um.
Minha camisa salmão, tão comum de dá raiva,
cobre um peitoral seco, e este, por sua vez, reveste um coração comum,
e que, no entanto, ama de forma incomum, logo, todo dia, coitado,
morre por não ter amor nenhum.
Meu relógio comum, sem corda, me avisa as horas comuns.
E senão movimento meus braços comuns, de repente,
morro de doenças comuns.
Minha boca comum, sempre me envergonha com bobagens comuns,
porém, não creio que eu seja diferente de nenhum.
Meus olhos comuns, veem corvos comuns.
Meus cérebro comum, no fim do meu mundo,
se acabará com o resto do meu corpo comum.
E baseado no senso comum, eu sei que, o céu acima de mim,
jamais me tornará um serafim.
Eu sou comum, tudo a minha volta é comum...
Não posso querer uma vida incomum.

Samuel Ivani

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