segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Poema sobras





Sobras

Eu sobrei! Triste afirmação, eu sei.
Sobrei porque me enchi demais de mim numa tola tentativa de me encontrar.
Quem dera eu tivesse faltado;
Eu era um grãozinho simples, destinado a pouco ou nada,
Vi-me, no entanto, uma safra farta de grãos.
Pensei ter terras que me fosse possível germinar
Mas, em vez disso, funguei.
Triste afirmação, eu sei. 
Sobrei! Não há lugar mais que eu caiba.
Todo cantinho de que me servia no passado,
Hoje, cheio de mim, não me encaixo.
Eu devia ter de inicio me contentado
Esperado ganhar espaço, para só então, me elevar às alturas desejadas
Mas não, quis me impor, assim, enorme em mundo pequeno e sobrei.
Soberbo, eu sei.
E hoje não sou nada por conta de quis um mundo de gente e
esperando um futuro diferente, destinei-me a não ser nada no presente.
Quem me dera tivesse um cantinho que não fosse de espaço,
que eu coubesse assim, enorme, do jeito que me faço;
Porque o que me sobra não sãos os ossos, os olhos
a pele... Sobram-me visões, uma triste história do passado, o tempo, e
uma imensidão de ideias.
Mas esse mundo que eu vivo e que não caibo
Necessita de uns braços, umas pernas, um fabricador de espaço.
Eu, em minha mente, crio um universo,
Mas ele sobra nesse mundo burro e concreto.
Eu sobrei meus caros! 
Triste afirmação, eu sei.
Resta-me a dura decisão de me faltar,
De incumbir à ação que fará o mundo perceber que
não terá mais nada de mim,
Só então verão os santos que me rodeiam
Que mesmo sobrando hoje, depois de um tempo,
faltou um pouco de mim no passado e que, no presente, eu sou indispensável.



     

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