sábado, 11 de fevereiro de 2017

Torto



Amar a mim? Não aconselho!
Sou inconstante, temperamental,
Desvairado, volúvel, 
Eu posso amar-te em segundos
Sem razão nenhuma,  
E posso odiá-la horas, 
Mesmo que me dê todas as razões para amá-la. 
E sou daqueles egoístas cujo 
se importa apenas com as próprias razões.  

Amar a mim? Não, não devia. 
Eu não sigo a ordem dos demais no espaço, 
Tão pouco no tempo;
Posso entregar-te flores em datas comuns
E esquecer de propósito dias importantes.
Posso viver de futuro, de esperanças,
E morrer de presente, por mais belo que seja.

Não! Amar a mim, terrível ideia. 
Não compreenderia;
Posso acordar para ouvir as cores dos pássaros
Nas noites de lua. 
Vê que loucura? 
Posso querer correr na chuva, 
Posso querer passar horas a vislumbrar
Joaninhas em um tronco qualquer 
Pois elas me trazem lembranças 
de momentos que não vivi.  
Vê que loucura?  

Amar a mim? Não, não devia.
Eu sou fraco, medroso, 
Precisaria que tivesse coragem por dois; 
E vivo de sonhos, sou um sonhador.
Sem contar que carrego a pior das moléstias:  
Sou um romântico demasiadamente racional.
E ainda há o mais grave: EU PENSO

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