sábado, 6 de dezembro de 2014

O Inferno é não amar




Como pode um homem viver sem amar?
Sem amor não há razões, desejo, força.
A verdade é que, sem amor, simplesmente não há.
Portanto, preciso, com certa urgência, de um amor;
Não precisa ser eterno, tão pouco correspondido,
Pode ser platônico, de ilusões, nem precisa ser real.
Deixem-me apenas amá-los pois sem amor não sou nada.

Quisera eu amar a lua, mas apesar de linda,
estava ela tão distante, e não existe amor à distância.
Quisera eu amar as árvores,
As amei de fato,
Mas precisei de calor, de ilusões,
e as árvores sempre imóveis, não me permitiram sonhar além.
Quisera eu amor os ventos, pois eles,
embora invisíveis, davam movimentos as árvores.
Mas apesar de senti-los, de acalentarem, quase sempre meu coração ávido por amar
meu amor necessitou-se de forma, de curvas, 
de olhares e não encontrei nos ventos. 

Quisera eu também amar o sol,
Porém, apesar de belo,
De emitir calor, energia,
Depois de pouco tempo, notei, com dor,
que era tudo.
Preciso, com uma certa urgência de um amor
pois não há inferno pior que não amar.
Julgam aqueles que sempre amaram,
que dores de amor são aquelas que mais maltratam.
Estes, não conhecem a ausência
o vazio que é não amar alguém.
Permitam-me que eu os ame,
É tudo que eu peço, pois não há inferno pior que não amar.
Então, se querem me agradar,
Não me tragam versos, não me encham de regalias,
Não me bajulem;
Sejam apenas interessantes, vivos,
pessoas das quais eu possa amar.
Sejam corajosos, enfrentem a vida.
Sejam daqueles que não almejam, conquistam.
Mas acima de tudo, tenham coragem.
Sejam daqueles que não refletem sobre nada, vivem apenas.
Reflexões sempre impedem a vida de florescer.
Eu, que refletia sobre tudo, encontrava “vida” em amar,
Amar ali, aqui, amar além, aquém, só amar...
E vejam agora: sinto-me só, vazio.
Quem arrancou de mim os amores merece todos os castigos,
Pois não há pior inferno para um homem que não amar.
Mas se tu retornasses com aquele amor que me levou,
Ainda sim, como qualquer amante, eu a beijaria.
Sou bobo, por que amo amar.
Então, tirem-me deste martírio e
sejam interessantes, para que eu os ame.
Não é pedir muito, ou é?


Samuel Ivani 

Nenhum comentário:

Postar um comentário