quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Separando os grandes escritores dos medíocres



No Brasil, os poucos que cultivam o hábito da leitura, com raríssimas exceções, acreditam piamente que são escritores, poetas, jornalistas ou qualquer outra profissão relacionada - e talvez sejam mesmo. Minha mãe sempre diz que pra ser um escritor pode se seguir qualquer profissão. Talvez ela tenha razão, afinal, as palavras, as letras, estão ai e, qualquer alfabetizado pode agrupá-las e dar algum sentido a elas.  Então, o que separa o joio do trigo? Como disse Nietzsche, o que separa os altos voos das aves de rapina dos voos rasantes das aves domésticas?   

Na adolescência todos somos poetas, afinal, na idade das paixões, tudo faz sentido. No entanto, o que separa os poetas e escritores dos demais é o tempo. Paulo Leminski  dizia que depois dos vinte, vinte e cinco, é muito difícil continuar acreditando na poesia, logo, quem passa dos vinte e continua escrevendo,  acreditando na arte de ser inútil, como disse Manoel de Barros,  são aqueles que realmente possuem vocação, ou são esquizofrênicos.  

Porém, só acreditar não basta, é preciso ter talento.  A fé entra nessa conta no aperfeiçoamento do talento inato. Eis que aqui, ocorre outra separação; aqueles que escrevem porque leem, ou seja, imitam os livros que leem,  e aqueles que realmente têm talento, que têm a capacidade de agrupar as palavras de um modo diferenciado. E diferentemente do que se pensa, um bom escritor, um escritor universal e atemporal, não é aquele que tem ideias mirabolantes ou que enxerga o que mais ninguém ver;  um escritor de oficio é aquele que consegue captar o que é nítido pra qualquer criança - o que todos pensam o tempo todo só que não conseguem expressar com palavras. Então o escritor toma para si a tarefa de colocar palavras nos anseios humanos, ainda que seja inconscientemente, e quando o leitor se depara com aquela ideia que ele pensara a vida inteira expressada de forma concisa no trecho de um livro, ocorre aquele momento mágico da leitura que é quando o leitor se identifica com o autor.
Aqui se separa os escritores meramente descritivos e aqueles com percepção e talento suficientes pra colocar a mente humana, a alma humana no texto - que é o que torna o livro atemporal, afinal, estórias passam, porém a mente humana sempre será a mesma.

Outro fator importante que separa os aves de rapina das aves domésticas é o tempo que se gasta aperfeiçoando e desenvolvendo seu talento. Porque somente um escritor de oficio, aquele que nasceu pra ser escritor, terá paciência de gastar todo o seu tempo com sua arte. O oficio de um escritor, diferentemente do que se pensa, não é escrever, é ler. Sem ler, não se aprende a escrever, essa é uma máxima que vai perdurar eternamente. - Aprendi com o Marquês de Sade que é um tipico erro de iniciante escrever mais do que ler.  Logo, o trabalho do escritor é ler, escrever  é atividade recreativa.

Certa vez, enviei um e-mail pra um escritor  relativamente conhecido, a fim de que ele, com sua experiência, pudesse me dizer algo novo pra aperfeiçoar minha arte. Esperava que ele me dissesse algo pessoal, no entanto, ele me respondeu com as velhas máximas: "a arte é um mundo cruel e muitas vezes o escritor só é reconhecido após a morte." Você pode esperar se despir de suas vestes orgânica pra acontecer? Pode?!

Ainda nessa tecla, outro fator que separa os pequenos dos grandes é a coragem, ousadia, tanto na sua escrita como na coragem pra divulgar o seu trabalho. Um escritor que teme repostas negativas das editoras, que teme reprovações, que não torna a descrença daqueles ao seu redor em motivação, não é um escritor de ofício. Agora se a cada não recebido, se a cada vez que sua mãe lhe aporrinha pra arranjar um emprego você encontrar mais forças pra continuar se aperfeiçoando, você é um escritor. Assista o filme lançado em 1966 intitulado Fome, ele te fará compreender isso melhor.

Lendo um artigo sobre o que não se deve fazer para publicar um livro, a autora dizia que não se pode divulgar, ou melhor,  incomodar as pessoas com seu trabalho. Baboseira,  pois se você nunca mostrar, nunca vai receber um não, então, nunca vai poder aperfeiçoar sua escrita, logo as negativas fazem parte da carreira do escritor. Negativas sempre me fizeram acreditar mais e mais, afinal, o sofrimento é o tempero da arte. Então, incomode, seja chato e que se foda o resto.

Há algum tempo, mandei uma mensagem pra um grande escritor mundialmente famoso apresentando o meu trabalho - pois sou insistente e incomodo mesmo - ele me mandou um link com os seus conselhos pra aspirantes a escritores. Era tudo baboseira! Não ouça conselhos. Irônico, não?
Esse texto não se trata de conselhos, apenas apresento elementos que podem ajudar você a se encontrar como escritor. Então, você  desteta ou gosta dessas ideias?





Um comentário:

  1. Sentido no DONO do Destino...Dentro de Você o rumo de tudo...Vendo certo dê um outro DEDO...O...D...E...D...DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL...SEU ALO DENTRO DA SABEDORIA...ABRE...A...SI...O...D...EUS..SEU...D...METADE...DO INFINITO...

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