quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Esse sou eu de verdade


Cansei dessa hipocrisia das redes sociais e resolvi mostrar quem de fato eu sou. 

Eu não sou esse cara arrumadinho com ares sérios que aparece numa foto de perfil, nem sou aqueles sorrisos largos em fotos de viagens que fiz uma vez na vida aos custos dos meus olhos. 
Eu sou esse cara que passa o dia tentando existir em frente ao computador sentado numa cadeira de balanço que já existe na minha família a mais tempo do que eu, logo, ela possui mais sabedoria e experiência do que eu e não tenta ser nada além de uma cadeira de balanço cuja movimenta as bundas sujas e sem graça que nela senta. Eu sou esse cara sozinho que adora a companhia de Belinha - uma cadela preta e cega de um olho de apenas dois anos, mas que entende a vida mais do que eu, que não passo de "um verme tentando ser astro, uma estátua truncada de alabastro, uma chaga sangrenta do senhor". 
Aquela senhora do lado é minha mãe, que janta enquanto vê suas novelas. Ela não entende os meus sonhos; acha que preciso de um emprego medíocre pra ganhar um salário medíocre e levar uma vida condicionada a capacidade que ela julga que eu tenho. Mesmo assim, ela me suporta e mesmo sem entender vai encarar minhas escolhas e tentar apoiar no que puder. Sou muito grato a ela por isso e se um dia chegar a ser quem eu luto pra ser, que é me tornar um escritor reconhecido, ela terá grande responsabilidade nisso, mesmo quando seus gritos me aporrinham pra que eu me entregue a vida que todos seguem na pequena cidade que vivo, são esses gritos que me dão força e coragem pra lutar por aquilo que desejo. Se ela soubesse que eu larguei a faculdade, emprego, tudo, pra viver os meus sonhos pra quando eu chegar à velhice não ter a sensação que vivi a vida de outro e não a minha.

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