terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Teus olhos

Maxim Grunin 


Era preciso seguir em frente, arrancar as correntes,
Matar dez leões a cada dia,
Era preciso descarrilar a ordem.
Mas como? Se a vida é tão mesquinha?
Ora! Não se encontra hoje em dia princesas indefesas,
para que eu as salve de tigres ferozes.
Não se encontra crianças felizes, a saltitar em cogumelos.
Não sou condenado à morte uma vez ou outra por reis irritados.
Nem sou pisoteado por pés gigantes de codornas minúsculas.
Eu também não posso encolher tampouco esticar.
Não posso ficar invisível, ou voar.
Não posso me aliar á uma quadrilha de saltimbancos,
Dirá sequestrar a filha do Xerife.
Não posso ser eu. Nem isso? Isso é tão pouco!
Não posso catar flores nas madrugadas geladas do deserto.
Não posso construir uma máquina voadora pra fugir com a filha do coronel.
Quão insignificante é essa vida, meu Deus.
Não posso ser um vigarista sem escrúpulos e passar a perna em um Sudão africano.
É preciso apenas catar castanhas nos dias quentes perto do mar.
Que belo, ao menos isto é belo!
Mas o amor à gente encontra
E ai, tudo isso a gente vive em nossa mente.
Quão belo é o amor, meu Deus!
Pois encontramos tudo que desejamos 
naqueles olhos grandes que a gente ama. 
É preciso amar sempre mais. 

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