quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Só mais um texto sobre a minha luta









Carrego o sonho de ser escritor comigo tal qual uma criança que na falta de dinheiro pra comprar um brinquedo da moda, confecciona com pouca destreza um modelo pouco parecido com as próprias mãos, mas que brinca somente dentro de casa, pois tem receio de levá-lo pra rua e sofrer enxovalhos dos outros meninos do bairro com seus bonecos industriais e coloridos. 
É certo que aqueles que brincam exibindo os seus brinquedos reais e que me enchem de inveja, em pouco tempo os gastarão devido a falta de qualidade e o pouco esforço que tiveram pra consegui-los - e talvez eu me divirta mais sozinho com o meu brinquedo do que o contrário, mas o mundo não sabe disso, nem muito menos eu, então a dor de não ter um igual ao deles me é insuportável.

Também é certo que se eu, depois de todos eles gastarem os seus brinquedos mesquinhos que eu daria a vida pra ter um parecido, decido sair a rua com o meu boneco, cheio de confiança devido a falta de comparação, algum moleque mimado e cheio de grana choraria rios e rios pra que sua mãe me comprasse a minha obra de arte. Então eu, comparando o brinquedo mixuruca que eu havia feito com os industriais, venderia a preço de banana ciente de que se eu juntasse minhas economias e o dinheiro do meu boneco, daria pra comprar um industrial agora fora de moda, mas o importante é que eu teria um maldito boneco igual a todos os outros meninos da rua.
E o mais triste de tudo é que, o moleque mimado que compraria o meu sonho, só queria mesmo tirá-lo de mim, depois de alguma horas, ele jogaria na lareira da sala da sua mãe sem pensar no esforço, nem em tudo que eu tinha passado pra construí-lo.
Então eu, em pouco tempo perceberia que aquele meu novo boneco fora construído em série aos milhões pra preencher os sonhos de uma grande maioria que não sabe construir sonhos próprios. Logo, ao me sentir só mais um na multidão, abandonaria aquele boneco colorido no canto e voltaria a construir um com a minha cara, com a minha coragem, pois se tem uma coisa que eu descobri é que sempre vou ter a capacidade de criar e sonhar.
O mundo pode demorar pra perceber isso, mas eu jamais vou permitir que o sol se ponha sobre o meu sangue, não enquanto me restar forças pra lutar. 

Um comentário: