domingo, 17 de dezembro de 2017

HISTÓRIA




Na história nunca contada da minha vida, dirão que eu fui fraco; 
um homem sem fé, sem objetivos... 
Um inútil que vagou pelos dias como um abutre em busca do néctar das rosas.
 Um louco, sempre remando contra a maré, 
que achou que ganharia o mundo e
 perdeu a si mesmo no intervalo dessa busca, ou desta espera.

Na história nunca contada da minha vida, dirão 
que de tanto sonhar, eu transpassei a realidade e
 fui morar no fantasioso mundo de meus próprios anseios inalcançáveis. 
E nesta, me decompus em poeira "nunca varrida" no canto da sala de desconhecidos.

Na história nunca contada da minha vida, dirão 
que o tempo em minhas mãos foi tal qual areia fina 
levada pelas brisas de um verão seco e infértil. 
Nada construí, nada deixei, não passei nem 
sequer meu próprio sangue a diante, 
logo, sem história pra ser contada.

Na história justamente nunca contada da minha vida, dirão os
fantasmas que hoje sussurram tais palavras em
meus ouvidos, que me faltou coragem, traquejo,
perspicácia, todas as características de alguém grande, 
e por esta razão, a minha sina foi ser poeira no canto da sala de desconhecidos.
Não contarão as dores e humilhações, 
pois elas não me tornaram forte, 
não me elevaram a patamares de estrela, 
nem mesmo me promoveram a encosto da porta 
de um sobrado de um professor aposentado.

Na história nunca contada da minha vida, não dirão os covardes, 
aqueles que nunca se prestarão a contar a história 
daquele que nunca cheguei a ser, 
que eu fui um homem de palavras na era dos sons e imagens. 
Não dirão eles, que eu descrevia as imagens e
 o que faltou foi quem entendesse a descrição 
do som areado de uma mordida com gosto na maçã do pecado. 

Na história nunca contada da minha vida, 
meu silêncio será ouvido como um calafrio 
nas carnes quentes daqueles que não entenderam 
meus gritos enquanto eu ainda tinha voz.

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